A confiança é o alvo das fake news

Francisco Viana*

Confiança: essa palavra, em qualquer língua, em qualquer momento histórico, é que une todas as coisas. Sem confiança nada funciona: nem os mercados ou as instituições , nem os negócios ou as relações entre as pessoas, e muito menos a política. É justamente para atingir a confiança que as fake news se multiplicam, se bem que logo desmascaradas, às vésperas das eleições que elegerão o novo presidente do Brasil. Vídeos, mensagens e textos falsos visam justamente abalar a confiança nos candidatos, qualquer que seja o partido da sua preferência. Visam semear a insegurança, caminhando na direção oposta da notícia verdadeira.

Como identificar as fake news? Primeiro, vencendo a tentação de compartilhar notícias sensacionalistas, como por exemplo que transexuais famosos vão comandar programas infantis, o que serviria para reforçar a confiança em candidatos conservadores e alcançar o resultado inverso com relação a candidatos liberais. Ou seja, essas “notícias” dialogam com nossos desejos, muitas vezes secretos, de que sejam verdade. A seguir, todo cuidado (ético) é pouco quando as notícias não citam fontes, não são divulgadas por outros veículos ou envolvem nomes de candidatos, a qualquer cargo, em acontecimentos sensacionalistas; e há ainda as notícias que são prontamente desmentidas. Aliás, essas são vacinas que no caso brasileiro têm funcionado. Tanto que nessas eleições não temos registrados a ocorrência de fake news de repercussão semelhante à eleição passada. Claro, é preciso que as eleições passem para se fazer uma avaliação concreta à luz da realidade concreta. Mas, enfim, o importante é votar e dar posse ao presidente eleito. E, sob esse aspecto, o país transmite total tranquilidade. Vamos às urnas.

*Francisco Viana é jornalista e doutor em Filosofia Política (PUC-SP).

 

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