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Uma visão pragmática

* Francisco Viana

Ministro afirma que o Brasil investe muito em Educação, mas precisa tomar cuidados com a qualidade dos programas e a avaliação das políticas públicas.

O tema da Educação precisa empolgar a sociedade brasileira, precisa ser abraçado por ela, precisa ser alçado à categoria de prioridade. Esse foi o grande mérito que envolveu a recente crise da reforma do ensino médio. As manchetes de jornais tiram a Educação das seções específicas da mídia, onde vivia confinada, e a levaram para as primeiras páginas, para as manchetes. Isso foi muito saudável. Deu visibilidade e chamou atenção para a Educação.

Assim se expressou o ministro Mendonça Filho, da Educação, em debate na tarde desta segunda-feira (27), promovido pela Cátedra Insper e Palavra Aberta de Liberdade de Expressão, marco inaugural das atividades da Cátedra este ano. O debate foi coordenado pelos professores Fernando Schüler, responsável pela Cátedra, e Sérgio Firpo, da Cátedra do Instituto Unibanco.

O ministro respondeu a todas as questões, sem meias palavras, a começar pela dissintonia entre a posição da economia brasileira, a oitava do mundo, e a sua posição no ranking da Educação, que oscila entre a 58ª e 66ª, definida por ele como uma pobreza muito grande. “O País não gasta pouco com Educação. São 6% do PIB. O problema está na qualidade dos investimentos. Há muito que se debater sobre esse assunto, a qualidade, pois os resultados dos investimentos são poucos e os retornos para a sociedade também. A repetência e a desistência de estudar por parte de alunos são flagelos sociais que precisam ser eliminados”, afirmou.

Como exemplo de investimentos de má qualidade citou o programa Ciência sem Fronteiras, que atendia 35 mil alunos, alguns dos quais iam estudar no exterior sem sequer conhecer o idioma do país, e custava o mesmo valor de toda a merenda escolar que atende a milhões de estudantes brasileiros. O programa, como ele disse, foi descontinuado, pois não é considerado prioridade.

No mesmo patamar das prioridades, Mendonça colocou as avaliações. Definindo-se como um gestor, disse que as avaliações estão sendo incorporadas às práticas rotineiras do ministério, de maneira a evitar desperdício de recursos, e que o melhor remédio contra as resistências, o corporativismo e as posições ideológicas, é a transparência. Foi assim, ressaltou, que venceu as resistências à reforma do ensino médio e as ameaças às provas do Enem. Por fim, falou que o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) não irá acabar.

“Vai passar por uma cirurgia radical, pois está com um rombo de bilhões, mas permanecerá para garantir o acesso de estudantes pobres a universidades privadas”, assegurou anunciando a divulgação de um diagnóstico do FIES para expor sua realidade. Antes de concluir, o ministro lembrou que os planos do MEC podem dar certo, sempre que forem realistas. E lembrou a experiência de Pernambuco, estado onde foi vice-governador (gestão Jarbas Vasconcelos), no qual o ensino médio em tempo integral começou timidamente e se expandiu, sendo adotado pelos governos seguintes. “O importante é sempre dar o primeiro passo quando se investe em políticas públicas e avaliar resultados”, disse.

A palestra do ministro da Educação, Mendonça Filho, lotou o auditório do Insper e assinala o inicio do ciclo de atividades 2017 que irá discutir, entre outros temas, pós-verdade e reputação.

Confira agora algumas imagens do evento:

FOTOS: FABIANO CERCHIARI
Convidado: ministro da Educação Mendonça Filho
Data: 27/3/2017 (segunda-feira)

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