Discurso do vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo

Senhor Presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros.
Excelentíssimos parlamentares aqui presentes, jornalistas, meus amigos do Instituto Vladimir Herzog e do Instituto Palavra Aberta.
Gostaria primeiramente de agradecer esta Casa por acolher o lançamento deste livro, feito com tanto esmero por uma equipe talentosa e determinada a contar a história recente do Brasil, sob a ótica da celebração dos 25 anos da Constituição Democrática e a Liberdade de Expressão.
Assim como Luther King, os constituintes tiveram um sonho. Um sonho de liberdade. De um Brasil moderno, de um Brasil do futuro. Um sonho de produzir um pacto político nacional para fechar uma página triste de nossa história caracterizada por um regime onde alguns achavam que sabiam o que era melhor para o todo. E que o todo era tolo e não sabia se determinar. E quem ousava pensar, e falar pagava caro – até com a vida. Muitos tombaram.
Mas um dia o sol nasceu e nasceu a Assembleia Nacional Constituinte sob o signo de que era resgatado ao cidadão o direito de saber o que era melhor para si e seu país e seu direito de escolha seria sagrado. Teria sim o cidadão, garantido pela nova carta, os mecanismos de defesa para que não quisesse alguém, um dia, encastelado no Estado, achar que teria a capacidade divina de decidir pelo cidadão comum. Porque talvez se julgasse melhor do que ele. Neste contexto o poder constituinte estabeleceu o papel que a Comunicação Social haveria de cumprir, garantindo assim, a Liberdade de Expressão e seu formato complementar público, estatal e privado como fórmula de atender ao desígnio maior.
O sonho daqueles homens e daquelas mulheres de 88 produziu o consenso que é a tônica do nosso povo que resolve suas mazelas pela composição e não pelo conflito. E, depois delas e deles, vieram outros que construíram sobre o sonho, a realidade que hoje celebramos.
Nada mais apropriado do que lançar este livro Nesta Casa, pois é nela que se fortalecem as instituições pelo calor dos debates e pela produção dos consensos. Este livro é, pois, uma celebração de 25 anos de um inestimável valor consolidado politicamente e institucionalmente.
E uma das formas de comemorar o momento histórico, foi nos unir ao Instituo Vladimir Herzog, com muita honra, em torno de um bem comum e direito inalienável do ser humano, a Liberdade de Expressão.
O livro é um resgate e uma reflexão sobre a história e o futuro, uma contribuição para todas as gerações; as que viveram os anos mais sombrios da ditadura e a nova, que nasceu num país onde as liberdades são plenas e garantidas pela Constituição Democrática.
A Constituição de 1988 deu certo, pois assegurou um país plural, rico de ideias e ideais, que permitiu o livre contraditório, que assegura aos cidadãos o direito de se expressar e buscar informações onde bem escolher, sejam fonte públicas, sejam fontes privadas.
Nesses 25 anos, com a chegada da internet, a pluralidade de meios cresceu exponencialmente e potencializou ainda mais os meios já existentes. E é pelo marco regulatório trazido pela Constituição que se assegura a todos se manifestem sob as mais variadas lentes, sob as mais variadas plataformas, sob os mais diversos canais.
Para citar apenas o meio televisão, a título de comparação que reforça esta diversidade, a cidade de Brasília, por exemplo, tem 23 canais de tv, públicos, educativos e comerciais, enquanto Washington D.C tem 16. As regras funcionaram e a pluralidade a ser oferecida ao cidadão foi garantida.
Neste mesmo ambiente temos milhares de emissoras de rádio publicas, educativas, comerciais e comunitárias espalhadas pelo país, cerca de cinco mil títulos de jornais e nos aproximemos de 8 mil títulos de revistas.
Numerar o ambiente virtual, suas redes sociais, blogs, sites, é tarefa que nem me proponho a fazer, dada a sua vastidão e possiblidades ainda em desenvolvimento.
O brasileiro tem escolha. Tem opção de se informar pelo meio que quiser, pois a Constituição assim determinou e assim se cumpriu. A partir daí, formará suas convicções, sua vontade própria. E assim, o sonho se faz realidade para que os tempos sombrios não voltem e não se desdenhe do povo a capacidade de se determinar. E a esta casa como sua representante de fazer os debates e produzir os consensos. Celebremos, pois, neste magnifico trabalho editorial, um Brasil melhor. O sonho valeu a pena e as mortes não foram em vão.

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