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Educação midiática é o caminho para enfrentar as "fake news"

O fenômeno das fake news (notícia falsa) não vai ter vida fácil. Este, pelo menos, foi o sentimento que os participantes da 12ª edição da Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão externaram junto ao público presente, na manhã de terça-feira (8 e maio), na Câmara dos Deputados, em Brasília. Promovida pelo Instituto Palavra Aberta, que reuniu representantes do Executivo, Legislativo, Judiciário, Imprensa, Universidade e Unesco, a conclusão é de que o combate às fakes news será duro, porém intenso, tendo a educação midiática como a ponta de lança de todo o processo.

Patrícia Blanco, presidente do Palavra Aberta, que compôs a mesa de abertura do evento, estava otimista em poder ampliar o debate do tema, tendo como ambiente o legislativo. “Nós precisamos avançar e descobrir como combater às fake news e os riscos que sua propagação traz à liberdade de imprensa e à cidadania”, ponderou, apostando que o meio mais eficaz de conseguir isso está no próprio cidadão: “Não acredito em punição, mas na educação midiática para frear a proliferação de material fraudulento”.

O tema da conferência foi “A importância da Educação Midiática na formação da cidadania e no combate às notícias falsas”, em dois painéis: A participação do Legislativo, do Executivo e Judiciário na educação midiática e informacional; e Educação Midiática no âmbito do ensino fundamental. Entre os conferencistas, a senadora Ana Amélia, o deputado Mendonça Filho, ex-ministro da Educação, a deputada Professora Dorinha, o deputado Alex Canziani, o ministro Wagner Rosário, do ministério da Transparência, o ministro Carlos Bastide Horbach, do TSE, a professora Cristina Helena, Pró-Reitora da ESPM, e o diretor de Currículos e Educação Integral, do MEC, Raph Jones, que apresentou as armas do ministério neste combate.

Segundo ele, das 10 Competências Gerais da norma Base Nacional Comum Curricular, recentemente aprovada, quatro delas contemplam a educação midiática, envolvendo desde a formação dos alunos até a instrumentalização dos professores, passando pela implantação de tecnologia na sala de aula, mais veloz e eficiente. Apontado por ele como um marco na história da educação no país, a Base será adotada em todo o país e vale tanto para escolas públicas quanto particulares, atingindo crianças, jovens e adolescentes. Em 2018, mais de 22 mil escolas, incluindo zonas rurais do país, já estarão operando sob o novo modelo.

Outras ações nesse sentido também foram apresentadas pela Pró-Reitora da ESPM, professora Cristina Helena, que lembrou a criação, na instituição, da cátedra Educação Miídia e Consumo. Na mira, estudos de acessos, a educação para uso de mídias, formação de formadores. “Estamos todos aprendendo como lidar com este fenômeno e o seu combate contribui para que tenhamos uma sociedade mais justa, onde o cidadão possa exercitar sua liberdade de forma consciente”, disse. Ao final, o deputado Alex Canziani, integrante da comissão de Educação da Câmara, disse que o tema merece a atenção da casa e a colocou à disposição do Instituto Palavra Aberta para ampliar o debate.

A 12ª Conferência contou com os apoios da ABAP, ABERT, ANER, ANJ e ESPM.

Para assistir a 12a. Conferência Legislativa na íntegra, acesse nossa página no You Tube

*Cláudio Pimentel é jornalista, com MBA em Administração de Negócios (UFBA)

Fotos – Erivelton VianaIMG_0121 IMG_0218 IMG_0489

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