Seminário discute o poder na era digital

o Seminário Internacional Educação, Mídia e Consumo, o tema da educação midiática, com seu extenso cortejo de impactos nesse século, surgiu com força e novidades em busca de caminhos a seguir. Uma das opções foi apontada por Ismar de Oliveira Soares, da USP, que sugeriu o uso de diferentes linguagens na compreensão e exercício do diálogo crítico para melhor assimilar a cultura digital.

O palestrante Adauto Cândido Soares, da Unesco, associou a Alfabetização Mediática e Informacional aos direitos humanos, aos direitos universais do homem. Destacou seu papel na construção da democracia. Isabel Ferin Cunha, da Universidade de Coimbra, por sua vez, afirmou que, como na Europa, uma sociedade só pode aproveitar a revolução digital se todos os seus integrantes estiverem envolvidos nela de maneira ativa e participativa.

Renee Hobbs, destacou o protagonismo que cada um, usuários, leitores e cidadãos tem em relação ao que divulga e compartilha nas redes sociais. Enfatizou que, ser um consumidor de mídia, se aprende em todos os ambientes – em casa, nas escolas e na sociedade. Além disso, a professora Renee destacou pontuou o significado de envolver-se em pensamento crítico sobre mídia, apresentando algumas respostas:

  • Estar consciente do ambiente da mídia
  • Escolher mensagens com sabedoria
  • Estar consciente de seus próprios preconceitos pessoais
  • Compreender ativamente e interpretar mensagens
  • Analisar o ponto de vista, a finalidade da mensagem e o viés da fonte
  • Reconhecer estereótipos que influenciam atitudes e comportamentos
  • Compreender sistemas de mídia, economia política e tecnologias

Corroborando com  a proposta da Renee Hobbs, Stéphanie Habrich, do Jornal Joca – único no Brasil a divulgar entrevistas, reportagens e curiosidades em linguagem com foco em crianças e jovens estudantes – questiona: como formar o leitor competente cidadão crítico e ativo do século XXI? Stéphanie apontou pistas importantes.

Entre elas, destacou caminhos que convergem para áreas em que o Brasil ocupa posições irrelevantes nos rankings internacionais, como leitura (59º), ciências (63º) e matemática (66º). Segundo ela, publicações como o Joca, hoje presente em 21 estados e 200 escolas, podem mudar o comportamento de toda uma geração justamente pelos temas que tratam.

E assim os palestrantes trouxeram um elo comum entre suas falas quanto a visão crítica e participativa. O seminário foi realizado na ESPM, dia 8 passado, e marcou o início das atividades da cátedra Palavra Aberta – ESPM. Por que dar tanta importância para a educação midiática?

Evidentemente não se trata apenas de educar para distinguir fake news de notícias verdadeiras, nem encontrar o melhor caminho para utilizar a mídia e as tecnologias digitais no dia-a-dia. Se trata assim de uma discussão mais abrangente e de extrema atualidade, que é a discussão do poder e da cultura digital.

Sua origem está na Galáxia de Guttemberg, que foi amplificada nos dias atuais na Galáxia da Internet. Isto explica, o crescente interesse em torno do tema e também o êxito do recente seminário do Instituto Palavra Aberta. Educação e meios de consumo são temas que interessam a todos nós. No exterior e no Brasil. São temas universais.

*Francisco Viana é jornalista e Doutor em Filosofia Política (PUC-SP)

 

Na foto, da esquerda para a direita: Francisco Gracioso (vice-presidente ESPM), Renee Hobbs (palestrante), Cristina Helena Pinto de Mello (Pro-Reitora ESPM), Patricia Blanco (presidente Instituto Palavra Aberta), Isabel Ferin (palestrante), Mariju Bonfill (Consulado Estados Unidos), Adauto Soares (Unesco), Luis Peres Neto (ESPM).

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