A voz da liberdade

Francisco Viana*

Sua voz virou uma referência cotidiana de liberdade de expressão para os brasileiros. Assim era Ricardo Boechat, âncora da BandNews, que morreu num acidente de helicóptero em São Paulo.

Ele transcendia os veículos em que trabalhou. Criou uma marca no jornalismo. A notícia sem meias palavras. Direta e insubmissa.
Na voz de Boechat, 66 anos, o brasileiro podia ter diariamente a evidência da importância da liberdade de expressão e de imprensa. E seu significado para a democracia.

Ele era um jornalista. Valorizava os fatos, o coração das notícias na sociedade de massas. Agia com liberdade e ousadia. Acreditava na liberdade e agia, quer dizer, noticiava. Daí, sua credibilidade e amplo prestígio junto à população. Entendia o sentido da relação de vasos comunicantes entre a imprensa e o público, entre a imprensa e sociedade. Entendia, com fé quase religiosa, o sentido da informação e dos fatos. Era autêntico. Verdadeiro. Sem ser o artesão retratado por Lima Barreto em Isaias Caminha, se dedicava à notícia com cuidado artesanal e a responsabilidade de quem lida com grandes massas. Era informativo e tinha opinião. Sabia, em tempo de fake news, distinguir a mentira da verdade factual. Sabia narrar os fatos em linguagem simples para gente simples. Boechat deixa um legado de seriedade.

*Francisco Viana é jornalista e doutor em filosofia política (PUC-SP).

 

 

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