
Golpes digitais e a vulnerabilidade da terceira idade
Golpes digitais e a vulnerabilidade da terceira idade https://www.palavraaberta.org.br/v3/images/palavaberta-logo-positivojpg-1-1jpg-1-e1785360091889.png 760 360 Instituto Palavra Aberta https://www.palavraaberta.org.br/v3/images/palavaberta-logo-positivojpg-1-1jpg-1-e1785360091889.png*Bruno Ferreira, coordenador pedagógico do Instituto Palavra Aberta
Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos golpes digitais: mensagens e chamadas que exploram confiança, urgência ou o desconhecimento técnico têm causado perdas financeiras e danos emocionais crescentes. Golpes por WhatsApp e redes sociais, clonagem de perfis, falsas ofertas e fraudes que simulam atendimento bancário ou mensagens privadas de supostas celebridades vêm se sofisticando, muitas vezes usando imagens e áudios gerados por inteligência artificial, e encontram terreno fértil em quem tem pouco letramento digital e redes de apoio limitadas.
Essa exposição aumenta em um contexto em que o acesso à internet entre pessoas com mais de 60 anos cresceu rapidamente nos últimos anos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, o uso regular da internet passou de 24,7% em 2016 para 66% em 2023, sem que houvesse uma preparação proporcional para identificar ameaças online.
Ainda de acordo com a PNAD, o principal motivo para a ausência de serviços de internet em 35,6% de 4 milhões de domicílios brasileiros que não acessam a web é o fato de não saberem usá-la. Essa porcentagem é superior aos 25,9% que alegam não ter internet por razões financeiras.
Nesse cenário, a situação dos idosos merece atenção particular porque esse grupo não conta com a mesma rede de proteção social nem com políticas públicas específicas tão consolidadas quanto as direcionadas a faixas etárias mais jovens. Crianças e adolescentes vêm sendo amparados por iniciativas recentes, como o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), que amplia a tutela no ambiente online e responsabilizam família, sociedade, Estado e plataformas pela segurança das gerações mais novas. Além disso, a inclusão obrigatória da educação digital e midiática no currículo escolar ajuda a desenvolver senso crítico e autonomia segura desde cedo.
Embora sejam adultos e titulares de autonomia, muitos idosos vivem em situação de isolamento e com baixo letramento digital, condição que os torna particularmente suscetíveis a fraudes e golpes digitais.
Recentemente, foram noticiados casos de pessoas que foram enganadas, acreditando conversar com celebridades pelas redes sociais. Nesses episódios, golpistas criam perfis falsos com imagens e vozes de pessoas famosas, manipuladas com inteligência artificial e, após ganhar a confiança do interlocutor, passam a extorqui-lo. Embora muitos debochem de situações como esta, é preciso refletir não apenas sobre as vulnerabilidades das vítimas, mas também sobre todo um ecossistema digital e midiático que facilita a banalização desse tipo de abordagem.
Nesse cenário, iniciativas de comunicação e educação voltadas a esse público são bem-vindas, a exemplo do que faz o casal Maria Helena e Tarcísio, do perfil @60demais, que ganhou grande repercussão recentemente nas redes sociais. Como idosos, eles dialogam com outras pessoas da mesma faixa etária a partir de uma linguagem acessível, com vídeos curtos, desmistificando o uso do celular, de aplicativos e outros recursos digitais.
Há ainda uma série de conteúdos didáticos da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, voltados à prevenção de golpes financeiros. Em parceria recentemente firmada com o EducaMídia 60+, projeto de educação midiática para a terceira idade do Instituto Palavra Aberta, a entidade propõe reforçar orientações para a prevenção a fraudes desse tipo. A parceria visa divulgar, por meio de posts estáticos e vídeos, orientações específicas para diferentes tipos de golpes que estão em circulação no momento.
Projetos como esses demonstram que educação midiática para pessoas idosas pode ir muito além da realização de encontros formais, como palestras, aulas ou oficinas presenciais, materializando-se em conteúdos relevantes nas redes sociais.