O ano em que a política entrou nas nossas vidas

* Patrícia Blanco

O ano de 2014 não foi pouca coisa. Além da Copa do Mundo e da 7ª eleição presidencial dos últimos 26 anos, foi o ano em que a política entrou nas nossas vidas.

Por toda a parte, dos locais de trabalho às escolas, das universidades aos bares e restaurantes, das famílias à mídia, o tema se tornou presente, dividindo opiniões, agregando participação, exigindo decisões. E o melhor é que tudo aconteceu na mais absoluta ordem institucional.

E o brasileiro gostou. Sentiu-se à vontade com o ambiente de liberdade. Votou e foi votado. Elegeu e foi eleito. Questionou e foi questionado. O País tornou-se mais republicano, mais democrático. Tanto que em pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada no domingo (7) pelo jornal O Estado de S.Paulo (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,satisfacao-com-a-democracia-no-brasil-cresce-13-pontos-em-2014-diz-ibope,1603450), a satisfação com a democracia ficou 13 pontos acima, se comparada com o nível registrado em 2010.

O que os números revelam? A mesma porta que se abre para o êxito, implica em novas responsabilidades com o êxito, sobretudo para os representantes políticos.

A verdade é que o Brasil mostrou seus muitos rostos, com profusão de ideias, reivindicações e sonhos. O que se viu e se verá em 2015, enfim, é o pleno exercício de liberdade. Definitivamente, a política deixa de ser premissa imprecisa para se transformar em permanente sujeito da realidade.

Nos versos de Leminski, o poeta sugere: “Deixa ver quem some antes a nuvem a estrela ou ninguém.” Ninguém sumiu, as nuvens e estrelas continuam nos seus lugares, mas as instituições se afirmam, a história segue o seu curso, com seus conflitos e impasses, mas sempre em movimento.

Estamos, assim, construindo a cultura do debate, tema permanente do Instituto Palavra Aberta.

* Patrícia Blanco é presidente executiva do Instituto Palavra Aberta

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