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| 3º ENCONTRO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO MIDIÁTICA Evento debate integridade da informação, letramento digital em todas as idades e defesa dos princípios democráticos |
| A partir de muito diálogo e da troca de experiências, educadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil contribuíram, no 3º Encontro Internacional de Educação Midiática, promovido pelo Instituto Palavra Aberta, com a pavimentação em busca de uma sociedade mais consciente, crítica, democrática, equânime e preparada para os desafios do mundo digital. Ao longo de dois dias (22 e 23 de maio), com palestras, painéis e workshops, na Casa Thomas Jefferson, em Brasília, refletiu-se sobre a urgência de formar cidadãos capazes de lidar com o excesso de informação, a desinformação e os impactos das tecnologias nas diferentes etapas da vida, informou o site *desinformante”. De políticas públicas a exemplos do "chão da escola", a educação midiática começa a se enraizar no Brasil, escreveu Daniela Machado, coordenadora do EducaMídia, neste artigo que sintetiza a programação do encontro . Confira abaixo alguns dos principais momentos do evento. Créditos das fotos: Instituto Palavra Aberta. |
| DESAFIO COLETIVO E CURRÍCULOS INTEGRADOS |
| | A educação midiática deve ser responsabilidade compartilhada entre escolas, famílias, governos e empresas de tecnologia, e tem de abordar temas como saúde mental, bem-estar digital, desinformação e uso ético da inteligência artificial, disse Merve Lapus, vice-presidente da Common Sense Education. |
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| Ele apresentou um panorama sobre os impactos da vida digital na formação de crianças e adolescentes, destacando a necessidade de uma resposta coletiva e coordenada. Defendeu a adoção de currículos integrados e acessíveis, a formação docente e o desenvolvimento de habilidades críticas desde a infância. Merve reforçou que o currículo deve ajudar os jovens a entender como suas escolhas digitais impactam sua identidade, bem-estar e relações . "A ideia é que os alunos construam sentido com base em sua própria vivência", afirmou. |
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| REALIDADE GLOBAL E DIVERSA É cada vez mais importante, diante da desinformação, preparar os jovens para navegar com senso crítico e segurança no vasto ecossistema digital. Essa foi a mensagem central da palestra de Brittani Kollar, diretora adjunta do MediaWise, programa do Instituto Poynter (EUA). “A geração Z não está no Facebook, mas no TikTok, no YouTube, no Instagram”, destacou Brittani, ressaltando a importância de compreender o comportamento dos usuários online para que as estratégias de educação midiática sejam eficazes. Segundo ela, cada público exige uma abordagem diferente, e isso começa por encontrar os jovens onde eles realmente estão. “Os jovens têm de ser representados em sua língua materna, pois a luta contra a desinformação é global e diversa”, enfatizou. |
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| RESPONSABILIDADE HUMANA Safa Ghnaim, diretora da Tactical Tech, organização internacional sem fins lucrativos dedicada a explorar os impactos sociopolíticos e ambientais da tecnologia na sociedade, fez uma apresentação com base no ensaio "Divisões Digitizadas", sobre os benefícios e os desafios impostos pela tecnologia à humanidade. O estudo mostra que a tecnologia é onipresente. Há avanços que representam significativas melhorias no bem-estar das pessoas. Mas também existem desvantagens.
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| "Em quase todo o ciclo de vida da tecnologia — da extração de recursos à gestão de resíduos —, violações de direitos humanos e danos ambientais têm sido bem documentadas", diz a pesquisa. Safa destacou que o bom uso da tecnologia passa pela responsabilidade humana e pela transparência. Embasada pela pesquisa, Safa sustentou que os seres humanos são, em última análise, responsáveis pelos danos infligidos ao meio ambiente e à humanidade. Daí a importância de entender de forma crítica as mídias e o meio digital.
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| ATENÇÃO A TODAS AS IDADES E O PAPEL DO JORNALISMO |
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| VISÃO MAIS HUMANISTA A senadora Teresa Leitão, autora do projeto de lei 1010/2025 — que propõe a obrigatoriedade da educação midiática nas escolas — destacou que a proposta está alinhada às preocupações contemporâneas e às ações do governo e da sociedade civil. "A educação midiática e digital é um imperativo em nossa sociedade. Uma educação que assimila de forma crítica, informada e cuidadosa, as notícias e os avanços tecnológicos", afirmou. Para ela, é preciso ainda “humanizar a humanidade”. |
| | DESINFORMAÇÃO E CRISE DO CLIMA João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secom, destacou a atualização da Estratégia Brasileira de Educação Midiática e Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, articulada para a COP30. Segundo ele, não é possível falar em integridade informacional sem abordar também a desinformação ambiental. |
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| DEMOCRACIA FORTALECIDA Adauto Soares, coordenador do setor de Comunicação e Informação da Unesco, lembrou que a alfabetização midiática fortalece a democracia e o acesso à informação. |
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| | PROTEÇÃO SOCIAL A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda, defendeu a educação midiática como instrumento de proteção. “Educar para a mídia é educar para a segurança”, afirmou. Segundo ela, essa é uma estratégia essencial para prevenir abusos e situações de vulnerabilidade. |
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| | PROTAGONISMO DOS JOVENS O secretário de Estado da Educação do Paraná, Roni Miranda, representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), ressaltou a relevância do trabalhou com foco no protagonismo do adolescente durante o uso das tecnologias, além da formação dos professores. |
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| INFRAESTRUTURA NAS ESCOLAS Ana Dal Fabbro (MEC) destacou três dimensões fundamentais da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas: infraestrutura, competências digitais e formação de professores. “O objetivo é proporcionar igualdade no acesso às tecnologias, especialmente em regiões como o Norte e Nordeste”, afirmou. |
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| | ATENÇÃO AOS IDOSOS O secretário nacional da Pessoa Idosa, Kênio Costa de Lima, chamou atenção para o impacto dos golpes virtuais contra a população idosa. O crescimento desses crimes tem resultado no aumento dos índices de depressão e suicídio, relatou. Ele reforçou a necessidade de incluir os idosos em políticas de educação midiática. |
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| FORA DOS GRANDES CENTROS David Almansa, da Secom federal, anunciou o lançamento do Guia de Educação Digital e Midiática: como elaborar e implementar o currículo nas escolas. Segundo ele, é essencial que as políticas alcancem territórios fora dos grandes centros urbanos, onde os desafios estruturais são ainda maiores. |
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| | EM BUSCA DE LEGISLAÇÃO EFETIVA Conselheiro do CNE, Israel Batista explicou o contexto de formulação da Política Nacional de Educação Digital, como resposta institucional urgente à desinformação. “A expectativa é de que a lei seja efetivada, mas é um longo caminho a ser percorrido”, disse. |
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| | JORNALISMO ESTUDANTIL Maíra Moraes (MultiRio) destacou a importância de integrar novas tecnologias ao processo educativo com intencionalidade pedagógica, não apenas como resposta a tendências. A iniciativa Andar foi apresentada como um exemplo de rede colaborativa entre estudantes e professores para fortalecer projetos de jornalismo estudantil. |
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| CONHECIMENTO PARA TODO O PAÍS Bia Lima, supervisora de inclusão educacional da Fundação Roberto Marinho, lembrou que o uso da mídia na educação pela FRM tem raízes no Telecurso e hoje segue vivo no Canal Futura, que aposta na produção de conhecimento nos territórios, a partir do vínculo e da autonomia. |
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| | FORMAÇÃO CIDADÃ Fernando Paulino (UnB) resgatou o histórico da educação midiática na universidade com projetos de extensão como o SOS Imprensa. |
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| | Juliana Cunha (SaferNet) destacou as ações formativas em cidadania digital e a segurança na internet para educadores e estudantes. |
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| | Meire Cachioni (USP60+) relatou o impacto da educação midiática e da inclusão digital na vida de pessoas idosas, por meio de uma formação cidadã que valoriza o envelhecimento ativo. |
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| Victor Hugo Alves, Gerente Executivo de Tecnologia Educacional, abordou o uso dos ambientes digitais no apoio às famílias. |
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| Natália Fernandes, da Estratégia Brasileira de Educação Midiática, falou sobre o letramento digital e midiático na terceira idade. |
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| Mariana Filizola, Coordenadora-Geral de Educação Midiática na Secom, explicou pontos da Estratégia Brasileira de Educação Midiática. |
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| FOCO NOS ADOLESCENTES Sean Marcus, designer da MediaWise, apresentou o currículo do projeto MediaWise YouTube Hit Pause. Com o apoio do YouTube, a iniciativa divide grandes tópicos e ideias de educação midiática em partes menores para ajudar os adolescentes a usar a internet de forma ativa, responsável e consciente. |
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| RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA E FOCO NOS MAIS VULNERÁVEIS Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, enfatizou, na abertura do evento, o papel das redes de ensino na formação crítica sobre o uso das mídias, responsabilidade que deve ser compartilhada entre educadores, gestores e famílias. Depois, em painel conduzido por Patricia Blanco, Kátia Schweickardt, falou sobre o programa Pé-de-Meia — benefício financeiro-educacional dado a estudantes —, voltado a reduzir a evasão escolar. “A educação pública vai ao coração da população mais vulnerável. O professor e influenciador Noslen Borges abordou a intersecção entre linguagem, senso crítico e educação midiática. “Se não soubermos interpretar textos, talvez não compreendamos o mundo à nossa volta”, disse. |
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| PRÊMIO DE EDUCAÇÃO DIGITAL |
| Foram entregues durante o encontro os troféus da 2ª edição do Prêmio YouTube Educação Digital, que tem a chancela da Unesco e visa valorizar criadores de conteúdo que integram o canal YouTube Edu — uma iniciativa com vídeos educacionais alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Clarissa Orberg, head de parcerias do YouTube, celebrou o reconhecimento aos educadores digitais. “O prêmio é fundamental para reconhecer quem está fazendo um bom trabalho em educação com seus canais na internet. Muitos professores escolhem o YouTube por ser uma plataforma aberta, democrática e acessível”, afirmou. |
| Confira os premiados desta edição |
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| Com até 100 mil inscritos Vencedor: Magno Solari O canal dedica-se à arte e educação, ensinando crianças, jovens e adultos a desenhar de forma fácil e divertida. Sua abordagem lúdica e acessível democratiza o aprendizado artístico na plataforma. |
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| De 100 mil a 1 milhão de inscritos Vencedor: Prof. JeanGrafia Mais de 14 anos no ensino de Geografia, Geopolítica e Atualidades. Com um acervo superior a 2 mil vídeos, seu canal é uma referência nacional, tendo impactado a trajetória de milhões de estudantes em todo o Brasil. |
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| Acima de 1 milhão de inscritos Vencedor: Manual do Mundo Comandado por Iberê Thenório e Mariana Fulfaro, o Manual do Mundo é um fenômeno da divulgação científica e do "faça você mesmo". Criado em 2008, o canal é um dos maiores do mundo em Ciência e Tecnologia, somando mais de 19 milhões de inscritos e inspirando a curiosidade e a experimentação em casa. |
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| Destaque em conteúdo para Shorts Vencedora: Português com Letícia Letícia Góes, professora da USP, criou o canal em 2018 com a missão de expandir o ensino para além das salas de aula tradicionais. Com videoaulas gratuitas, tem auxiliado milhares de estudantes e alcançou a marca de um milhão e meio de inscritos, demonstrando a eficácia de conteúdos concisos e diretos. |
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| #FakeToFora Professores da rede estadual da Paraíba, José Hiago Soares, da ECI Doutor Fenelon Nóbrega, na cidade de Salgadinho (6ª GRE), e Manoel Messias Silva, da ECIT Mangabeira, em João Pessoa (1º GRE), mostraram um pouco das iniciativas que conquistaram, respectivamente, o 1º e o 2º lugar no Prêmio #FakeToFora, promovido pelo Instituto Palavra Aberta, em parceria com o Porvir e a Embaixada e Consulado dos EUA no Brasil. Já o professor Ronney Marcos abordou a experiência do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, em Aracaju (SE), com o projeto Clube de Checagem Observa!, que ficou em terceiro lugar na premiação. "A educação midiática passa por entender e saber transmitir sua opinião sobre o fato do que está acontecendo", disse Soares. "Os alunos de 16 anos estavam desmotivados a votar, e relataram sobre o conteúdo das redes sociais. A partir daí desenvolvemos o projeto de combate às fake news", comentou Messias. “Representar escolas em tempo integral reforça a promoção do pensamento crítico e da cidadania digital entre os jovens”, afirmou Marcos. |
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| JOVENS “JORNALISTAS” A experiência do projeto Agência de Notícias na Escola, da Bahia, foi apresentada pela diretora de Inovação e Tecnologia do Instituto Anísio Teixeira, Carla Aragão, e pelo professor da rede estadual de educação, Marcus Leone. Segundo eles, o projeto tem incentivado entre os jovens o combate a desinformação, o letramento informacional, o protagonismo, a autonomia e o pensamento crítico. “Os estudantes estão produzindo conteúdos de qualidade e com responsabilidade. Isso é muito potente”, disse Marcus Leone. Segundo Carla, o desafio agora é expandir o projeto a partir do guia ‘Como montar sua agência na escola’, que será lançado em breve. |
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| PERTENCIMENTO Em um momento de muita emoção, a professora Marcela Castro e o aluno Antônio Nascimento, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio Lemos, de Santa Izabel, no Pará, apresentaram o projeto por meio do qual, uma vez por mês, estudantes participam ativamente do processo de produção de reportagens especiais do Amazônia Vox. Os alunos são reunidos em grupos e incentivados a debater os temas das reportagens, revisar os textos e editar o material, recomendando aos jornalistas do Amazônia Vox ajustes no conteúdo para tornar a abordagem mais simples, sem ser simplista, e com pertencimento à comunidade amazônica. |
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| ECOSSISTEMA DE INFORMAÇÃO SAUDÁVEL Mariana Ochs, coordenadora de educação da Palavra Aberta, abordou uma visão de 360° da educação midiática. Bruno Ferreira, coordenador pedagógico do instituto, palestrou sobre estratégias para escalar a educação midiática. Daniela Machado, coordenadora do EducaMídia, participou de conversa sobre letramento midiático e o papel dos criadores de canais de educação, na qual também esteve Aline Vieira, oficial de projetos do Setor de Educação da Unesco. Alexandre Sayad, do Conselho do EducaMídia, mediou o painel "Educação Midiática em todas as idades: experiências práticas". A equipe do Palavra Aberta esteve presente em toda a organização e realização do evento, consolidado como um dos mais importantes espaços do país para intercâmbio de experiências e estudos e pesquisas sobre educação midiática. |
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