Eleições 2026 e o protagonismo jovem contra a desinformação

Eleições 2026 e o protagonismo jovem contra a desinformação 650 375 Instituto Palavra Aberta

Patricia Blanco é presidente do Instituto Palavra Aberta

A democracia enfrenta um de seus maiores desafios: o avanço desenfreado da desinformação,  potencializado ainda mais pela inteligência artificial (IA). Ferramentas tecnológicas avançadas tornaram a produção de conteúdos duvidosos extremamente fácil, rápida e de baixo custo. Imagens, textos, áudios e vídeos manipulados são criados em minutos, alimentando bolhas informacionais e reforçando a polarização política, em que narrativas que tratam o oponente como inimigo a ser aniquilado ganham espaço e escala. Essa dinâmica nociva fere os princípios democráticos da pluralidade e da diversidade de ideias, exigindo uma postura ativa e renovada de toda a sociedade.

O ecossistema digital funciona sob a lógica da disputa pela atenção, onde algoritmos frequentemente impulsionam publicações que geram reações emocionais intensas, como o medo, a raiva e a indignação. Nesse ambiente de excesso de estímulos, o viés de confirmação faz com que boatos e mentiras grosseiras ganhem tração e engajamento antes que qualquer desmentido possa circular. Por isso, nesse cenário, a tradicional checagem de fatos, embora fundamental, já não basta. O eleitor precisa desenvolver uma consciência crítica profunda, compreendendo as intenções por trás das mensagens recebidas e questionando ativamente por quais motivos determinados conteúdos chegam até suas telas.

Para enfrentar essa realidade, a imprensa e a educação digital e midiática emergem como pilares essenciais. O jornalismo profissional, feito a partir de critérios e apuração rigorosos, oferece um contraponto crucial às montagens, aos cortes de vídeo descontextualizados e à avalanche de conteúdo sintético produzidos em larga escala. Paralelamente, a educação midiática atua como escudo preventivo, fornecendo ferramentas para avaliar fontes, buscar evidências e identificar interesses ocultos, e oferecendo instrumentos para que cada pessoa forme sua opinião com liberdade e autonomia.

É nesse contexto que ações como o EducaMídia e o FakeToFora, iniciativas do Instituto Palavra Aberta, revelam sua imensa relevância. Em paralelo ao período eleitoral, o Prêmio FakeToFora, já em sua segunda edição, estimula a criação de coletivos de checagem nas escolas, preparando estudantes para atuarem como embaixadores e verificadores de conteúdos. Essa abordagem deixa de ver os jovens como meros alvos de mentiras e os posiciona como parte da resposta.

Ao investigar imagens, comparar fontes e consultar veículos jornalísticos no ambiente escolar, os estudantes desenvolvem habilidades críticas valiosas. O impacto mais profundo reside no efeito multiplicador: esse aprendizado ultrapassa os muros da escola e chega às famílias e comunidades, auxiliando pais, avós e amigos a identificarem boatos, conteúdos fraudulentos e fora de contexto. Assim, os jovens assumem a liderança na disseminação de práticas de letramento midiático, fortalecendo o combate à desinformação. É a educação midiática rompendo muros da escola e fortalecendo diretamente as comunidades.

Para Ronney Marcos, professor da rede pública estadual de Sergipe e um dos ganhadores da primeira edição do Prêmio com a criação do Observa (coletivo de checagem composto por alunos), “o mais bonito foi ver os estudantes assumindo o protagonismo, investigando, checando informação, produzindo conteúdo e percebendo que também podem contribuir para um ambiente digital mais responsável”.

Embora pareça pouco, o impacto de ações como essas muda completamente a forma como o jovem passa a encarar o seu papel no ambiente democrático. Ao incentivar e valorizar programas que engajam a juventude no combate à desinformação, plantamos sementes para um futuro democrático mais robusto em que a informação de qualidade prevaleça sobre a manipulação digital e sobre a desinformação.

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