Notícias falsas, todo cuidado é pouco – Por Patricia Blanco

“O jornalista deve dar a notícia quando ela de fato existe e não criá-la.”

Umberto Eco

Notícias falsas são um tema recorrente nas mídias sociais. Seja por ingenuidade, má fé ou por realmente acreditarem no que leem em sites e blogs, as pessoas não hesitam em compartilhar aquilo que lhes parece relevante. Nem se preocupam em checar as fontes de origem ou se as notícias de fato são verdadeiras. Vão passando adiante como se tudo não passasse de uma simples troca de bastão em um jogo ou uma corrida.

O drama ganha maiores proporções quando se constata, de um lado, que o brasileiro cada vez mais se informa nas redes sociais – a base é de 2 bilhões de usuários no mundo; e de outro, que as notícias falsas influenciam comportamentos, que podem ir de um linchamento ou espancamento de pessoas, ao resultado de uma eleição.

Além disso, podem destruir uma reputação e prejudicar alguém, como no caso de pessoas acusadas de crimes que não cometeram. E, assim, sucessivamente. A lista de danos é longa e lembra a tragédia shakespeariana de O mouro de Veneza, que por causa de uma intriga mata a mulher amada e, também, morre.

O problema é ainda mais grave. Cada vez que uma notícia falsa circula, as mídias sociais perdem em credibilidade. Isto é muito ruim pois as mídias sociais são os veículos do século XXI e isso, segundo Umberto Eco (Pape Satãn Aleppe), é muito ruim porque criam uma situação paradoxal. Ao mesmo tempo em que democratizam a informação, as mídias sociais nem sempre merecem crédito.

O que fazer? Checar, ter atenção, não ceder ao primeiro impulso ao ver aquilo que gostaria de ver publicado ou que imagina ser útil à coletividade.  Pensar antes de partilhar a informação. Por esses caminhos é que estaremos fazendo das fake news (notícias falsas), boatos e desinformação um tigre de papel. Ou encarando-as como elas realmente são: mentiras com trajes de gala da “verdade”.

* Patricia Blanco é presidente executiva do Instituto Palavra Aberta

ECO. Umberto, Pape Satãn Aleppe: crônicas de uma sociedade líquida, Rio de Janeiro: Record, 2017, p. 170.

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