Eleições, conquistas e contradições

* Patrícia Blanco

No domingo, dia 26, o brasileiro foi às urnas para eleger os candidatos à presidência da República e governadores de Estado que disputaram o segundo turno. Foi um pleito pacífico e preciso graças a organização liderada pelo Superior Tribunal Eleitoral e as urnas eletrônicas, com os resultados anunciados minutos depois do encerramento das apurações. Votaram 112.528.849 pessoas. A campanha foi acirrada, disputada urna a urna.

Se compararmos a eleição ao mitológico Janus, com sua dupla face, a participação ativa do eleitorado foi a face positiva. A face deprimida, pode ser vista no cerceamento à liberdade de expressão. Um fato de grande repercussão foi a depredação da sede da Editora Abril em São Paulo, um episódio inadmissível e logo repudiado. Em paralelo, a revista Veja foi proibida, também um episódio lamentável, de fazer propaganda da capa da edição desta semana.

A Associação Brasileira de Imprensa, em nota assinada pelo seu presidente, Domingos Meirelles, qualifica como inconstitucional a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. “A intervenção do TSE, além de extemporânea, fere a liberdade de imprensa, agride o Estado de Direito e conspurca os princípios que regem a atividade econômica em nosso País”, sustenta a nota oficial. “Ao estampar a denúncia do doleiro Alberto Youssef, em sua chamada de capa, a revista apenas exerceu o papel de bem informar seus leitores sobre um tema de interesse público.” E concluiu: “As agressões cometidas também contra a sede da Editora Abril, em São Paulo, são igualmente condenáveis num regime democrático. A história tem mostrado como manifestações de intolerância política dessa natureza costumam terminar. Nosso passado recente é rico de exemplos do que sempre acontece quando a imprensa é impedida de cumprir sua missão.”

Equilíbrio e tolerância

Como anunciado pela imprensa, o resultado caracterizou-se pelo equilíbrio, o que se traduzirá, também, em futuras negociações. Predominou, nas grandes linhas, a liberdade de expressão, a despeito de polêmicas despertada pelo noticiário, em especial nas mídias sociais. Contudo, o tema da tolerância esteve em persistente evidência, sugerindo que nos próximos pleitos se pense mais no entendimento e na mediação das posições divergentes do que a recusa totalizante daquele que pensa diferente. Pode-se pensar e agir diferente, sem que se deságue para o vandalismo ou a violência. Eleições precisam ampliar, não restringir espaços civilizatórios.

Nesse sétimo pleito desde a Constituição de 1988, pode-se afirmar, independente do ângulo de avaliação, que o grande vencedor, mais uma vez, foi a sociedade brasileira. Tanto é assim que ambos os candidatos – a presidente eleita, Dilma Rousseff e Aécio Neves – destacaram a necessidade de unir o País em torno de um projeto que atenda às demandas expressas nas urnas.

É uma união nascida da participação. Ao final, ficou constatado, também mais uma vez, que o voto livre e soberano se afirma, a cada dia, como a maior expressão da liberdade. Se há imprensa livre, há debate e voto livre. E assim é possível construir um diálogo democrático onde todos ganhem.

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