IA, eleições e tensões geopolíticas realçam papel da educação midiática em 2026

IA, eleições e tensões geopolíticas realçam papel da educação midiática em 2026 510 337 Instituto Palavra Aberta

*Mariana Mandelli é coordenadora de comunicação do Instituto Palavra Aberta

As notícias dos primeiros dias de 2026 parecem dar o tom de um ano que já prometia ser, no mínimo, intenso, com eleições nacionais e Copa do Mundo à vista. A operação militar do governo Donald Trump que atacou a Venezuela e capturou Nicolás Maduro elevou os níveis mundiais de tensão política e econômica, além de provocar uma avalanche de opiniões, comentários e análises, de especialistas e leigos, nas mais diversas plataformas de mídia.

Em um cenário informacional já complexo em que o avanço da inteligência artificial generativa confunde cada vez mais a nossa percepção de realidade, misturando fatos, criando narrativas e inflamando crenças, que desafios o novo ano traz na área da educação digital e midiática?  Listamos alguns deles abaixo.

Conflitos internacionais: a tensão na Venezuela e as ameaças a outros países que o governo estadunidense vem fazendo desde o ano passado também escalam o volume de desinformação de cunho político-ideológico nas redes. Interpretar notícias e artigos, bem como memes e vídeos virais sobre esses temas, torna-se cada vez mais importante. Da mesma forma, o letramento algorítmico emerge como uma competência urgente, para que consigamos compreender minimamente por que certos conteúdos ganham mais destaque e visibilidade nas plataformas.

Eleições: não é mais novidade que a virulência do cenário político-partidário no Brasil vem se agravando na última década. Dito isso, o pleito eleitoral de 2026 não deve ser diferente: ataques às instituições democráticas e candidatos(as); ondas de desinformação política e discursos de ódio; novas tecnologias usadas em prol do caos eleitoral, entre outros elementos, devem compor novamente o panorama deste ano.

IA generativa: do debate sobre a regulação e o uso ético dessas ferramentas no trabalho, nas artes e na educação, passando pelos custos ambientais e impactos na nossa cognição e capacidade criativa, o desenvolvimento da inteligência artificial segue sendo uma das principais questões dessa década. Educar crianças e jovens para esse contexto é primordial.

Ameaças à liberdade de imprensa: em 2025, diversos relatórios apontaram um recrudescimento global das violações ao trabalho de jornalistas. Um documento do Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA), localizado em Estocolmo, Suécia, por exemplo, mostrou que a democracia regrediu em 94 países nos últimos cinco anos. Em ano eleitoral, atentados e agressões a profissionais de imprensa tendem a aumentar, o que deve redobrar a atenção do poder público, empresas de comunicação, entidades de classe, organizações do terceiro setor e e da sociedade em geral, reforçando a importância de uma educação comprometida com o fortalecimento do jornalismo independente.

Implementação de normas curriculares: aprovadas no ano passado, as Diretrizes Operacionais Nacionais sobre a integração da educação digital e midiática aos currículos escolares devem se tornar realidade nas escolas brasileiras a partir deste ano letivo, o que exige esforço coletivo de municípios, Estados e da União em ações que apoiem redes de ensino, gestores escolares e educadores. Vale ressaltar também que o debate em torno do Plano Nacional de Educação (PNE), agora no Senado, merece ser acompanhado de perto em termos de propostas sobre educação digital e midiática.

ECA Digital: em 2025, também houve a aprovação do PL 2628/22, o “ECA Digital”, que contou com ampla cobertura da imprensa por conta de uma denúncia feita pelo influenciador Felca em agosto. Agora, é momento de não descuidarmos do tema e tornar a lei conhecida por famílias e escolas,  por meio de campanhas de comunicação e materiais educativos de divulgação. 

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