
“Visite nossa cozinha”: confiança no jornalismo requer transparência
“Visite nossa cozinha”: confiança no jornalismo requer transparência https://www.palavraaberta.org.br/v3/images/press-reporter-fallowing-leads-case-1-1024x683.jpg 1024 683 Instituto Palavra Aberta https://www.palavraaberta.org.br/v3/images/press-reporter-fallowing-leads-case-1-1024x683.jpgDaniela Machado é coordenadora do EducaMídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta
A internet alterou significativamente as relações entre quem produz e quem recebe informações, com efeitos permanentes sobre o jornalismo profissional. Deixamos para trás o tempo em que poucos veículos de comunicação eram os únicos responsáveis por selecionar, editar e publicar notícias — enquanto, ao público, restava o consumo passivo e raríssimas oportunidades de participação.
Hoje, centenas de milhões de criadores de conteúdos dividem espaço nas redes sociais com jornalistas. Ainda que boa parte dedique-se a temas que fogem do escopo da imprensa (com temáticas mais ligadas ao entretenimento ou do tipo “faça você mesmo”, por exemplo), há uma avalanche de informações que podem ser consideradas noticiosas e outras tantas que têm a pretensão de ser.
Para os jornalistas, o desafio não é apenas o de produzir material relevante, mas garantir que a sociedade possa reconhecer tal relevância em meio a tantas ofertas. É nesse cenário que a educação midiática emerge como ferramenta estratégica para reconstruir a confiança do público e, assim, fortalecer o jornalismo.
O público precisa conhecer o método jornalístico e as responsabilidades que seus profissionais assumem, do momento em que um dado começa a ser investigado até a publicação. Em um momento em que qualquer pessoa com acesso à internet pode produzir e compartilhar informações com os mais diversos propósitos (até mesmo o de enganar), torna-se vital a distinção entre o material jornalístico — fruto de checagem e técnicas — e os demais conteúdos disseminados em redes sociais e aplicativos de mensagem.
Não se trata da defesa incondicional de toda a imprensa. Mas de contribuir para que todos possam conhecer o trabalho jornalístico para avaliar cada veículo com mais propriedade. Todos têm a ganhar se os veículos adotarem uma postura de “visite nossa cozinha”.
Uma nova governança da imprensa exige a ampliação da prestação de contas. Ao expor os caminhos da apuração, detalhar a relevância dos temas e até admitir obstáculos na busca por informações, os veículos ajudam a formar uma audiência qualificada.
É nesse contexto que o Instituto Palavra Aberta lança esta semana um novo material com exemplos e sugestões de como jornalistas e veículos de comunicação podem promover ações de educação midiática. O e-book “Como a educação midiática fortalece o jornalismo — Práticas e experiências para (re)aproximar imprensa e audiências” é gratuito e está disponível para download.
Ao abraçar o caminho da educação, o jornalismo não está apenas ensinando o público a ler notícias; está cultivando defensores de uma instituição fundamental para a organização da sociedade e a sustentação da democracia.